Quando o exame otológico é normal e a dor persiste, o problema geralmente não está no ouvido. Está ao lado dele — é dor na mandíbula perto do ouvido, e o paciente sente como se fosse dentro.
A articulação temporomandibular fica imediatamente à frente do conduto auditivo externo — milímetros de distância. Os músculos mastigatórios, sobretudo o masseter e o pterigóideo lateral, se inserem na mesma região. Quando essa articulação ou essa musculatura está inflamada ou sobrecarregada, a dor é percebida dentro do ouvido, e não onde ela nasce.
Isso tem explicação neurológica, não é impressão do paciente. As fibras que trazem informação dessa região convergem para os mesmos núcleos do nervo trigêmeo que recebem informação do ouvido. O cérebro recebe o sinal e localiza mal. É o mesmo mecanismo pelo qual um infarto dói no braço.
Como separar
Provavelmente é otológico — e você deve procurar um médico: dor com febre, com secreção saindo do ouvido, com perda de audição, com zumbido que apareceu junto, ou após um resfriado. Isso não é assunto de dentista.
Provavelmente não é otológico — vale investigar a articulação: dor que muda de intensidade ao longo do dia, piora ao mastigar alimento duro, aparece ou piora ao acordar, vem acompanhada de estalo ou de dor ao apertar a lateral do rosto, e o exame do ouvido veio normal mais de uma vez.
Onde eu discordo do reflexo automático
Existe um reflexo, quando o otorrino não acha nada, de mandar direto para o dentista com o rótulo de DTM. Nem toda dor de ouvido com exame normal é disfunção temporomandibular.
Pode ser dor referida de origem cervical. Pode ser neuralgia. E — isto eu vejo com frequência, porque é a minha área de origem — pode ser um dente. Um molar superior com inflamação pulpar refere dor para a região do ouvido de maneira convincente o bastante para o paciente jurar que o problema é auditivo. Já atendi mais de um caso em que meses de investigação otológica terminaram num dente.
Por isso o exame precisa incluir os dentes, e não só a articulação. Fechar diagnóstico de DTM por exclusão, sem examinar, é trocar um erro por outro.
Vale registrar também que, na maior parte dos pacientes com disfunção temporomandibular, o desconforto tem origem muscular, e não dentro da articulação. Isso muda o exame e muda o tratamento.
O que fazer agora
Anote por alguns dias: a dor muda quando você mastiga? Muda de acordo com a hora? Dói se você apertar com o dedo bem na frente do ouvido, com a boca fechada e depois aberta? Algum dente incomoda ao morder, mesmo que pouco?
Essas quatro observações valem mais numa consulta do que a frase “dói o ouvido há meses”.
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Onde eu atendo
O atendimento é presencial, no Centro de Limeira. A primeira consulta é de exame, não de tratamento: palpação da musculatura mastigatória e cervical, medida da abertura de boca, teste de carregamento das articulações e imagem quando o exame clínico indica.
Av. Saudades, 1569 — Centro — Limeira/SP. Segunda a sexta, das 8h às 18h, fechado das 12h às 13h30. Como funciona a avaliação e o tratamento · Como chegar e o que trazer.